| Photo Information |
Copyright: H Ralf Lundgren (bucanas)
(15258) |
| Genre: Places |
| Medium: Color |
| Date Taken: 2007-10-13 |
| Categories: Daily Life, Nature |
| Camera: Nikon D200 |
| Exposure: f/5.0, 1/90 seconds |
| More Photo Info: [view] |
| Photo Version: Original Version |
| Date Submitted: 2007-10-15 4:34 |
| Viewed: 870 |
| Points: 10 |
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| [Note Guidelines] Photographer's Note |
MATA ATLÂNTICA: Patrimônio Planetário
Poucos lugares na Terra abrigam tantas formas de vida como a Mata Atlântica brasileira. Milhares de espécies de animais, plantas e microorganismos, muitas delas ainda nem descritas pela Ciência, vivem nas encostas das montanhas, nos rios, nos mangues, nas restingas, nas ilhas, nas cavernas, nos campos de altitude e nos outros ambientes que formam a Mata Atlântica e seus ecossistemas associados. É tanta riqueza de vida que a Mata Atlântica brasileira é apontada como um dos mais importantes refúgios da biodiversidade em todo o planeta e declarada pela UNESCO como Reserva da Biosfera, um Patrimônio da Humanidade.
Para compreender a Mata Atlântica imagine um grande quebra-cabeça com mais de 3 mil quilômetros de extensão, em movimento permanente em todas as direções e sentidos formado por um incontável número de peças que variam de forma, cores e tamanhos, de microscópicas a gigantescas e que mantêm entre si complexas e ao mesmo tempo delicadas ligações que asseguram a existência do quebra-cabeça como um todo. Uma cumplicidade tão extrema que a perda de qualquer uma das partes é uma ameaça para o conjunto.
Origem e domínios
Formada por vários tipos de vegetação (Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional, Manguezais e Restinga) a origem da Mata Atlântica está associada à separação dos continentes africano e sul americano (eles formavam um único continente chamado Gondwana), ocorrida há aproximadamente 80 milhões de anos atrás.
A acomodação de tanta terra e água com a formação do Oceano Atlântico, marcou um período de agitação geológica que sacudiu a Terra. Vulcões e grandes acomodações na crosta terrestre levantaram inúmeros blocos de montanhas, como a Serra do Mar, que ocupou a faixa litorânea de Santa Catarina ao Espírito Santo e se transformou no cenário ideal para a Mata Atlântica.
Os blocos de montanhas formaram uma barreira para os ventos carregados de umidade que vinham do Oceano. Sob a forma de névoa ou chuva, a umidade ajudou a criar as condições necessárias para que as formações atlânticas, que originaram a Mata Atlântica propriamente dita, se instalassem e evoluíssem numa velocidade alucinante.
As variações climáticas provocadas pela sucessão dos períodos de glaciação, quando se formavam as grandes geleiras (clima mais frio e seco) e períodos entre as glaciações (quando o clima ficava mais quente e chovia mais) , contribuíram para a expansão da Mata Atlântica que chegou a ultrapassar os limites da Floresta Amazônica, outra formação florestal presente no Brasil muito antes do descobrimento.
Espalhada pela faixa litorânea de Norte a Sul e expandindo suas fronteiras para o interior, em extensões variadas, a Floresta Atlântica ocupou regiões de diferentes relevo, clima e solo.
Estão encaixadas assim as peças básicas sob as quais vão se ligar outras milhares na forma de novas espécies de plantas, microrganismos, insetos, aves, répteis, mamíferos, num processo dinâmico de dependência, crescimento e evolução que caracteriza a fantástica diversidade biológica da Mata Atlântica. Nosso quebra-cabeça é um laboratório vivo do tempo.
Riqueza ameaçada
A riqueza natural da Mata Atlântica é demostrada por números que impressionam: 50% de espécies de árvores só são encontradas aqui. Este fenômeno, que a Ciência dá o nome de endemismo, chega a 70% no caso de espécies como as orquídeas e bromélias.
No caso da fauna, 39% dos mamíferos que vivem na floresta são endêmicos, como a preguiça (na foto ao lado). Mesmo percentual vale para a maioria das borboletas, répteis, anfíbios e aves. Mais de 15 espécies de primatas habitam a floresta, a maioria endêmica.
Centenas de pesquisas procuram conhecer a biodiversidade da Mata Atlântica para melhor protegê-la. Estes estudos já revelaram que a destruição da floresta está provocando o desaparecimento de muitas espécies: das 202 espécies de animais brasileiros ameaçados de extinção, 171 são originários da Mata Atlântica
Em quase 500 anos de ocupação, o impacto da colonização, do extrativismo, da expansão das fronteiras agropecuárias e da urbanização sem controle, deixaram um rastro de destruição dramático: em 1500, os domínios da Mata Atlântica cobriam mais de 1 milhão de quilômetros quadrados (1.085.544 km2), 12% do território nacional. Em 1990, os remanescentes da floresta atingiam pouco mais de 95 mil quilômetros quadrados (95.641 km2), 8,81% da mata original. O levantamento mais recente feito em 1995 pelo Inpe – Instituto de Pesquisas Espaciais e pela SOS Mata Atlântica concluiu que cerca de 10% dos remanences foram destruídos na primeira metade da década de 90.
Em São Paulo, a devastação reduziu para pouco mais de 7% (1.731.472 ha) a área coberta por florestas naturais que ocupavam 81,8% do território paulista (20.450.000ha).
E a destruição não se limita às espécies de flora e fauna. O patrimônio étnico, cultural, histórico, arqueológico, arquitetônico, construídos ao longo de séculos pelas comunidades tradicionais que viviam na mata como os indígenas, os caiçaras, os quilombolas, os caboclos correm o risco de desaparecer junto com estas populações cada vez mais descaracterizadas ou expulsas de seus locais.
Patrimônios protegidos
Para que o fantástico quebra-cabeça da Mata Atlântica não desapareça, entram em cena outras peças como inúmeras leis destinadas a proteger o meio ambiente, como a Constituição Federal, a Constituição Estadual e o Código Florestal. E são as Unidades de Conservação, criadas através de leis municipais, estaduais e federais, um dos mais importantes instrumentos de proteção da Mata Atlântica.
Concentrados na faixa litorânea e na região do Vale do rio Ribeira de Iguape, os principais remanescentes da Mata Atlântica estão sob proteção legal em Parques Nacionais e Estaduais, Reservas, Estações Ecológicas, Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e áreas tombadas. Em São Paulo, as Unidades de Conservação de uso indireto são administradas pela Secretaria do Meio Ambiente, através do Instituto Florestal, órgão ligado à Coordenadoria de Informação e Pesquisa Ambiental, CINP e também pela Fundação Florestal.
E para interromper o rastro de destruição, reverter o cenário de devastação através da recuperação de áreas degradadas, aprofundar os conhecimentos sobre a floresta e criar alternativas para o desenvolvimento sustentável, a Secretaria do Meio do Estado de São Paulo tem buscado parceiros no Brasil e no exterior para, juntos, vencerem o desafio de proteger a Mata Atlântica.
É neste grande esforço pela vida que está o Projeto de Preservação da Floresta Tropical (Mata Atlântica) no Estado de São Paulo, denominado Projeto de Preservação da Mata Atlântica - PPMA, resultado do Convênio de Cooperação Financeira Brasil-Alemanha. |
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